Dica de Livro #01

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Inauguro hoje mais uma sessão aqui no Blog. Já temos a música de sexta e vez ou outra a gente fala de algum filme que nos marcou a infância ou juventude.

Acontece que nem só de jogos, filmes e desenhos animados a infância e juventude foi feita.

Numa época onde laboratório de informática nas escolas era luxo, ou até mesmo um sonho, as bibliotecas eram um ótimo lugar para ter um pouco de distração, isso é, para aqueles que gostavam de ler, como eu...

Nessa época houve uma série de livros, e alguns, mais do que outros, ficaram na memória e por vezes nos dá vontade de ler novamente.

E pra começar essa sessão, escolhi um livro biográfico, que li quando tinha pouco mais que treze anos (sim, faz tempo).

Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva



O que chama a atenção nesse livro é a sua narrativa, despreocupada em ser perfeita. Marcelo conta a sua história de vida, suas lembranças, de forma sincera, sem querer dar uma de vítima, ou lamentar a vida.

Aos 20 anos, em uma brincadeira inocente, Marcelo deu um mergulho em um lago raso e fraturou a coluna vertebral, ficando paraplégico. Porém, esse fato, apesar de mudar sua vida por completo, não chegou necessariamente a abalar o modo como ele veria a vida. Enquanto todos se lamentavam pelo acidente, sua resposta era sincera, e sem falsa culpa, ele dizia "foi cagada própria."

No decorrer das páginas, vemos um Marcelo contando como viveu sua juventude de forma intensa, sem arrependimentos. Seus romances, casos curiosos e engraçados, como a vez em que ele realizou o sonho de sair fantasiado de "puta" em um carnaval.

Ainda conta o fato do pai, o deputado federal Rubens Beyrot Paiva ter sido assassinado na época da ditadura.

É um livro gostoso de ler. Acompanhamos Marcelo em suas conquistas mais importantes, como a primeira vez em quem mexeu o braço após o acidente, e temos a felicidade de compartilhar até mesmo momentos constrangedores.

Uma das grandes passagens do livro:

"Meu futuro é uma quantidade infinita de incertezas. Não sei como vou estar fisicamente, não sei como irei ganhar a vida e não estou a fim de passar nenhuma lição. Não quero que as pessoas me encarem como um rapaz que apesar de tudo passa muita força. Não sou modelo para nada. Não sou herói, sou apenas uma vítima do destino, dentre milhões de destinos que nós não escolhemos. Aconteceu comigo. Injustamente, mas aconteceu. É foda, mas que jeito..."

Bom, na minha opinião, esse é um livro que todos deveriam ler. Não só por ser uma lição de vida, pois o próprio autor não quis passar essa intenção. Mas por ser uma história envolvente e sincera, de um jovem que sempre viveu cada minuto como sendo o seu último.

Pra ver se desperta uma vontade de ler, uma das passagens que acho mais curiosas:

"De repente vejo pousar uma nota de cinqüenta cruzeiros no meu colo. Era uma velha que tinha jogado e saído rápido. A princípio não entendi, mas depois não agüentei e caí na gargalhada. Ela tinha me dado uma esmola. E como dissera meu amigo paraplégico Silvio: ser deficiente também tem suas vantagens" pág 226

É isso aí galera. Uma nova sessão inaugurada no blog. Ainda pretendo mencionar aqui alguns livros da série Vagalume, e tantos outros em que tive o prazer de ler. Claro, por ser um blog nostálgico, irei focar mais em livros que tenham mais de dez anos.

Espero que tenham gostado da ideia, e aguardem a música de sexta de hoje, que não será de minha responsabilidade (falei isso semana passada).

Nos vemos no próximo post.

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